Se tivessem acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teriam ouvido as verdades que teimo em dizer a brincar, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria. Charles Chaplin
Tornámo-nos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Antoine de Saint-Exupéry
A cabeça que se não volta para os horizontes sumidos não contém nem pensamento nem amor. Victor Hugo
Não importa o que fizeram connosco, importa o que fazemos com aquilo que nos fizeram. JP Sartre
Bryan Adams tens raízes que o ligam a Portugal e os portugueses têm por ele um grande carinho, o Verão, segundo afirmam estudos, é a altura do ano em que as pessoas se sentem mais felizes... partilho o intemporal "Summer of 69", porque é Verão, porque nada dura para sempre, porque os melhores dias da nossa vida são sempre bons de recordar...
ao vivo em Lisboa a 3 de Dezembro de 2008, quem sabe algum de vocês não faz parte deste momento :)
dia para fazer as últimas compras e organizar tudo antes de por o pé na
estrada deste nosso Portugal, de tantos encantos. antes de ir ainda quero
partilhar com vocês umas coisitas sobre trabalho e afins...
na maioria das vezes que saio em serviço externo acabo sempre por me deparar
com situações de degradação e miséria, sociais e humanas, nas duas últimas
saídas porém tive duas surpresas bastante agradáveis.
uma delas aconteceu aqui, além de me ter rido que nem uma perdida
para chegar e abandonar o local, encontrámos um cenário bem diferente do que
esperávamos, que era uma dezena ou mais de cães em péssimas condições
sanitárias - já cogitávamos a hipótese de alguns terem de ir para abate, e eu
amante como sou de cães disponibilizei-me logo para adoptar um de mais pequeno
porte. o que encontramos foi bem diferente, mais de uma dezena de
cães, entre médio e grande porte, todos em óptimas condições sanitárias,
visivelmente apegados às pessoas que os cuidavam. legalmente não poderiam ter
mais de seis cães, mas a questão é: se os cães estão bem tratados, não
representam perigo para a população, não será preferível que alguém os adopte e
cuide ao invés de andarem abandonados e a reproduzirem-se massivamente? ou
então serem abatidos? sou de opinião que sim, portanto vim do local com o
coração cheio, pelos animais que encontraram amigos à sua altura, e por ter
ficado a conhecer mais seres humanos que como eu têm verdadeira admiração/adoração por
cães.
ontem, o meu dia antes de férias, deparei-me com outro tipo de espécimen que
também me alegra, um humano do género masculino, este não deixava nada a
desejar ao Adónis, deve ter cerca de 1,90 m, ventre liso (sem definição
excessiva dos músculos) - o tipo apareceu-me em calção - olhos negros e cabelo
encaracolado, sorriso largo, comunicativo - english talking - ora bem só vos posso dizer que esta imagem me tem vindo
frequentemente à cabeça... :P como nada é perfeito o namorado era um pindérico
antipático - pudera deve ter cá um medinho que lhe arrepanhem o Adónis. :P
aquelas pessoas a quem gentilmente enviamos um formulário de requerimento por e-mail evitando assim que tenham de se deslocar ao nosso Serviço, e na resposta além do anexo já preenchido enviam-nos... nada, espaço em branco, nem um cumprimento, nem um agradecimento, nem uma única palavra, adoro.
aquelas pessoas que esporadicamente trabalham connosco, já nos falaram quinhentas mil vezes no trabalho, mas quando passam por nós na rua, nem sequer nos cumprimentam, adoro.
e adoro que essa mesma pessoa entre no meu gabinete no exacto momento em que escrevia sobre ela, adoro.
hoje em modo dois em um, um misto de "entre nós" e "quem é que se lembra?". já vos disse que se a cabecinha e o coraçãozinho estiverem minimamente estáveis ando sempre a cantarolar, o reportório vai desde o mais recente hit às músicas da minha infância, esta semana dei por mim a trautear isto:
"vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida"
(a música só começa aos 37 segundos)
adorava a Arca de Noé, certamente foi aqui o despertar do meu interesse por saber mais e respeitar mais os animais. associo sempre o programa à voz do seu primeiro apresentador, o carismático Fialho Gouveia. julgo, com pena, que hoje em dia já não se fazem assim programas para crianças e jovens num formato saudável, conseguindo entreter e ensinar. e vocês lembram-se? conheciam a música, viam o programa?
eu acreditei na tua inteligência, na racional e na emocional
acreditei que eras mais, esperei mais, construí um castelo de esperanças
o castelo era de cartas e ruiu à mais pequena brisa
faltava-lhe a fortaleza do carácter, aquele que descobri ser inexistente
felizmente as minhas muralhas assentam sobre valores firmes
nelas me escondi, nelas me protegi, nelas sou...
já vos disse que
parte do meu trabalho é feito no exterior, e às vezes, como hoje, literalmente
no campo, mesmo com a saída marcada há mais de uma semana lá veio a lady de
salto alto, apesar de serem cunhas compensadas não dão jeito mesmo nenhum para
subir e descer em terreno acidentado e com piso extremamente seco, logo mais
escorregadio. foi a risota total, gargalhei a bom gargalhar, e lá ia eu
alternando entre os três cavalheiros que me acompanhavam... caso contrário
acontecia-me o mesmo que a esta mocinha, com a ligeira diferança de rolar monte
abaixo - felizmente os meus cavalhaeiros foram mais expeditos! :P
ontem enquanto falávamos sobre a wonderland que é
o facebook revelaram-me que um estudo - já procurei online, mas não encontro :(
- testemunha que ter conta nesta rede social é reflexo de uma vida social
saudável, torna as pessoas mais alegres e menos propensas à depressão, soltei
uma valente gargalhada ao ouvir isto. como não tenho facebook confirmei
cientificamente a minha anti-sociabilidade, mas em contrapartida também fiquei a saber
que, mal me sinta invadida por uma onda de tristeza, prestes a ser arrebanhada
por uma depressão, pimba, vai de criar conta e pronto lá estarei eu mais feliz,
de bem com a vida, e ainda passo a ter uma vida social normal saudável.
povo para que anti-depressivos se podemos ter
conta no facebook, ah e tal com a baixa no preço dos medicamentos fica mais em
conta... e ainda temos tempo para contactar com a natureza e com seres humanos
de carne e osso, gente isso não é saudável...
adorei o filme, fantástico, adoro histórias de vida. não querendo contar muito, mas contando um pouco... Sixto Rodriguez um músico que lançou dois álbuns nos USA nos anos 70, apesar de lhe ser atribuído enorme talento não teve sucesso, tendo seguido com a sua vida, e uma profissão bastante dura.
a muitos km de distância a sua música torna-se inspiração na luta anti-aparthaid, o seu sucesso é enorme mas ninguém sabe quem ele é, julgam-no morto, mais de 20 anos após o lançamento dos seus trabalhos iniciam a busca por sugar man (uma das suas músicas que, literalmente mudou a vida a um sul-africano), e passados mais de 20 anos Sixto volta a dar um concerto, actua perante um público em delírio com a maior naturalidade e à vontade - confesso que me emocionei nesta parte.
Sixto Rodriguez é um personagem marcante, um homem cheio de força de viver que aceita tudo o que a vida lhe reserva, para o bem e para o mal, um homem que apesar de ter sentido na pele a dureza da vida não se desligou do lado mais leve que a arte nos pode dar, um homem daqueles que julgo ser um bom exemplo.
foi ele o autor da música "i wonder", nos anos 70!
e eu andei não sei quanto tempo a achar que era de um artista novo, o que vale tenho amigos dos bons. ;)
Esta semana várias músicas ocuparam a pole position desta minha rubrica conjunta, mas há coisa de uma horita (o post é agendado, portanto ainda foi ontem) dei por mim a cantarolar "i should have known better to lose someone as beautiful as you, i should have known better to take the chance on ever losing you" (eu tenho o dom de inventar letras alternativas), e assim sendo numa aceleração final fabulástica Jim Diamond, ficou com o lugar, e vai partir para a interpretação de "i should have known better", que eu adoro! E vocês conseguem deixá-lo chegar à meta, ou não aguentam tanto mel?
And I should have known better to lie with one as beautiful as you.
Yeah, I should have known better to take a chance on ever losing you.
But I thought you'd understand, can you forgive me?
I saw you walking by the other day.
I know that you saw me, you turned away and I was lost.
You see: I've never loved no one as much as you.
I've fooled around but tell me now just who is hurting who?
And I should have known better to lie with one as beautiful as you. ...
I should have known better to take a chance on ever losing you
But I thought you'd understand, can you forgive me?
I-I-I-I-I-I-I-I-I-I
should have known better,
I-I-I-I-I-I-I-I-I-I
should have known better.
It's true, I took our love for granted all along.
And trying to explain where I went wrong, I just don't known.
I cry but tears don't seem to help me carry on.
Now there is no chance you'll come back home, got too much pride.
And I should have known better to lie with one as beautiful as you. ...
I should have known better to take a chance on ever losing you
But I thought you'd understand, can you forgive me?
I-I-I-I-I-I-I-I-I-I love you,
I-I-I-I-I-I-I-I-I-I-I love you.
No-no-no-no-no-no I love you!
No-no-no-no-no-no, yeah!
And I should have known better to lie with one as beautiful as you
"Imagino o dia em que alguém tentará imaginar o que foi existir uma sociedade como a da Coreia do Norte."
pág. 235
A nós que vivemos em sociedades livres - embora condicionados, um condicionamento de seguir massas, de querer parecer assim ou assado, de se colar a algo com um objectivo - é difícil imaginar como é viver na sociedade mais fechada do mundo, os condicionamentos físicos, de acesso a formação, tecnologia, conhecimento, alimento, é este retrato que José Luís Peixoto nos mostra. Os Norte Coreanos vivem numa realidade paralela, parados no tempo, totalmente isolados do resto do mundo e das mudanças que ocorrem, um país de faz-de-conta, em que um homem é venerado como um Deus, quando na realidade não foi mais do que um carrasco. É como se vivessem numa redoma coberta com panos negros, e só uma pessoa tivesse fósforos que acendia a gosto, assim se vive nesta Coreia, à mercê dos caprichos de uma família no poder há décadas. Não há liberdade de contactar com estrangeiros, ouvir música estrangeira, aceder a internet, os livros e museus versam e glorificam a família no poder, a televisão tem um canal, não são raros os locais sem electricidade, bem como com água corrente (nos hóteis a água disponível era uma banheira cheia), não há lojas (o autor refere nunca ter visto um coreano a usar dinheiro), as casas são miseráveis, a agricultura é completamente rudimentar... na capital varrem-se as ruas com vassouras de palha (aposto que a maioria dos Portugueses nunca viu uma!). Como ditadura fortemente militarizada que é, esse comportamento parecer estar incutido em todos os cidadãos sendo estes ordeiros e disciplinados (o medo acarreta disto), não há muros riscados, nem lixo no chão, e além disso as ruas são extremamente seguras (pudera!).
"Se estás a ler estas palavras é porque estás vivo."
pág. 236
Assim acaba o livro e deixa-nos a pensar "estou vivo e vivo", bem diferente de estar vivo e existir, que é mais ou menos o que é permitido aos Norte Coreanos...