Se tivessem acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teriam ouvido as verdades que teimo em dizer a brincar, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria. Charles Chaplin

Tornámo-nos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Antoine de Saint-Exupéry

A cabeça que se não volta para os horizontes sumidos não contém nem pensamento nem amor. Victor Hugo

Não importa o que fizeram connosco, importa o que fazemos com aquilo que nos fizeram. JP Sartre

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terça-feira, 7 de abril de 2015

you don't know what it's like


às vezes pergunto-me o que queres de mim?
e respondo-me nada!
e é bom,
nada é pouco mais do quanto posso dar
e é mau,
tudo é muito menos do quanto desejo dar

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

sem cartografia


não vale, perdeste-te do caminho de me encontrar, tudo é montanha.
talvez não contasses com o acidentado do terreno.
talvez tenhas sonhado um mar sereno.
talvez ofuscado pelos raios de sol, que cintilavam no espelho de água do teu oásis imaginado, tenhas antevisto um precipício.
não vale fechar os olhos aos despojos das marés passadas,
não vale fugir das feridas da erosão,
tudo é montanha não vale.

terça-feira, 8 de julho de 2014

writen words

fica comigo hoje, protege-me com a carapaça do teu abraço, de mim e de todos os monstros que vivem cá dentro... só hoje e amanhã fica comigo, vive em mim, limpa a casa, muda os móveis, redecora cada canto do meu ser... só hoje, amanhã e depois fica comigo, redescobre as cores do meu sorriso, a luz do meu olhar... só hoje, amanhã, depois e...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

liberdade de escolher ser prisoneiro


O coração, se pudesse pensar, pararia.

Fernando Pessoa

 
há corações que aprendem... plantam neles mágoas, o tempo passa, as feridas secam, o tempo passa, as cicatrizes exaurem o terreno, o tempo passa, escolhem-se as culturas a dedo, a medo, o tempo passa... o coração começa a pensar, perde-se emoção, ganha-se razão, cavam-se distâncias, germinam as sementes da indiferença... gosto de corações que não pensam, sentem, atiram-se, envolvem-se, entregam-se, dão-se... o coração que aprendeu a pensar, defende-se, condiciona-se, perde-se... o coração se pudesse não pensaria...
 
 
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

há mais

 
 
distância, tempo e espaço. não há espera, há esperança. caminhos que hão-de cruzar-se. uma nova etapa a ser percorrida a quatro pés. a bagagem não pesa, define. não haverá pedidos para a deixar. o seu segredo será descoberto, a essência compreendida, o significado de cada lembrança, cada sorriso, cada lágrima, absorvido. da bagagem partilhada, parte. sem segredos segue a viagem, mais, mais leves, mais livres, mais raízes.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

 
Imagina

Só nós sob o céu estrelado

Uma estrela cadente a quem pedimos a eternização do sentimento que nos une

Imagina cada estrela a brilhar por um dos muitos momentos em que fomos, somos e havemos de ser luz, seres que se iluminam e aquecem, e que hão-de ser amor até ao apagar-se.

Imagina, eu consigo, e tu?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

dos tempos


fiquei, não contei o tempo, voou
choveram horas e horas, inundaram-me momentos
 não fui, as horas deixaram de ter significado, o tempo parou
vi apenas relâmpagos, ouvi apenas trovões
o tempo andou, o tempo mudou
a chuva cai, não me molha, tempo de ser impermeável
saudades minhas

terça-feira, 17 de setembro de 2013

a ti

a ti que me roubas sorrisos, a ti que tens tantos rostos, os que eu conheço, os que eu nunca vi, os que eu sonhei, os que eu senti, a ti que me abres o baú da emoção, me apertas o coração, me aqueces o peito, e me condensas a felicidade em gotas salgadas que me regam o rosto, e me hidratam o sorriso, a ti que vês e sentes o melhor de mim, a ti que em sorrisos vistos e imaginados me mostras o quanto eu sou bela, me fazes sentir o quanto de bom há em mim, a ti, a ti, a ti obrigada por tantos sorrisos, a ti a quem eu posso nunca ter dito, a ti que podes nunca me ter ouvido dizer, a ti, a ti  eu amo, com este coração que fazes pequenino, que fazes grande, a ti, a ti que sabes que estou aqui, porto de abrigo, pista de lançamento, a ti, de mim para ti
 
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

páginas escritas

eu acreditei na tua inteligência, na racional e na emocional
acreditei que eras mais, esperei mais, construí um castelo de esperanças
o castelo era de cartas e ruiu à mais pequena brisa
faltava-lhe a fortaleza do carácter, aquele que descobri ser inexistente
felizmente as minhas muralhas assentam sobre valores firmes
nelas me escondi, nelas me protegi, nelas sou...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

with arms wide open

 
atiras-te no abismo, e enquanto a queda não finda insistes em impulsioná-la, sabes que te espera o chão duro, onde todos os teus sonhos se vão reduzir a pó, insistes, esperas que lá no fundo estejam as mais suaves nuvens, e enquanto vais em queda livre nelas te imaginas a aterrar, a sua massa a moldar-se ao teu corpo num abraço profundo, de novo te sentes no abrigo que só o ventre materno pode dar, da tua queda para o abismo queres fazer um renascer... quando bateres no fundo conta-me como foi... i'll be here...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

sem ti

faltam-me as palavras, faltas-me tu, a inspiração que me trazes, na loucura dos momentos de felicidade, na insanidade dolorosa que me provocas, faltas-me tu, e sem ti na minha vida ela não tem o mesmo brilho, a mesma intensidade, o mesmo sabor, faltas-me tu, e morre um pouco da alegria que há em mim, e resnasce um pouco da melancolia de te recordar, a ti que me faltas, tu, só tu que és capaz de despertar a maior das coragens e o maior dos medos, tu, só tu, serei eu um dia capaz de aceitar viver sem ti? sei que me faltas, sei que vivo, a tua falta acompanha-me...
 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

segredos de uma alma escondida

só ela os sabe e a ninguém os conta, esconde-os lá bem no fundo da sua essência imaterial, e assim escondida dos olhos guarda mistérios que anseia por revelar, numa sofreguidão só comparável à vontade de se materializar. ser um ser, ter um corpo, sentir-se, ser sentida, ver-se, ser vista, revelar-se, ser revelada. nos segredos que esconde aprisiona os ingredientes para se fazer massa, e vergar à força da gravidade, se um dia os libertasse carregaria em sim um corpo que a aprisionaria, não mais a deixando ser livre de viver na infinidade de realidades que se escondem atrás dos segredos em pensamentos revelados...

Desafio de escrita do Livro de Desabafos

quarta-feira, 29 de maio de 2013

que tempo é este?

que faz lá fora, tão igual ao cá de dentro? é um tempo de perdas e ganhos, de encontros e desencontros, cheio de cor e cinzento, de frio e calor, de sol e chuva, de invernos melancólicos após primaveras tristes, de verões luzidios teimantes em fugir. tempo de mudança, de perda transformada em encontro, o encontro maior, o de mim própria, por entre chuvas e sóis, arco-íris e relâmpagos, numa brecha de tempo vislumbro o bom tempo, ainda não foi ontem, nem hoje que ele veio para ficar, ele não virá! ousarei partir no seu encalço e persegui-lo a cada dia, em cada lugar, nos meus lugares. dias e estações virão em que não o terei, em todos embarcarei e não lhe perderei o rasto…
 

sábado, 25 de maio de 2013

foste embora

como tinhas chegado, silenciosamente, quando me apercebi já tinhas entrado, quando me apercebi já tinhas ido, não te conheci, se foste sem uma palavra, também não me conhecias, no tempo que por cá estiveste não quiseste apreender a minha essência, a partilha, não demos, perdemos, se um motivo houve que eu não soube, foi porque não mo quiseste dizer, eu estive sempre aqui, pronta a ouvir e a sentir, não nos ouvimos, calamos, se um dia quiseres voltar estou aqui, como estava da primeira vez, de braços abertos para te receber, porque esta também pode ser a tua casa, se assim o quiseres... também eu já fui embora...

terça-feira, 21 de maio de 2013

não te esqueças

se me deres uma planta não te esqueças de ver se ela tem raiz, caule e folhas, não te esqueças de enterrar as raízes em terra fértil, sem isso a planta que me deres não sobreviverá, não te esqueças de verificar a firmeza do caule, sem ele a planta que me deres não se manterá, não te esqueças de iluminar a verdura das folhas, sem isso a planta que me deres não se renovará, se me deres uma planta não te esqueças que os sentimentos são plantas, sem raízes não sobrevivem, sem caule não se mantêm, e sem folhas não se renovam, e se me deres uma planta não te esqueças, hei-de regá-la todos os dias, e a cada dia uma flor brotará em mim...
  

segunda-feira, 20 de maio de 2013

deixei o meu coração com a lua

há muito que ele não está comigo, vejo-o todas as noites, e em dias de céu claro, como uma sombra que me acompanha, sinto a sua presença sempre, há dias em que não o vejo, há dias em que lá do alto me pressiona o peito como se um meteorito tivesse embatido nele, há dias em que o sinto tão quente como se se tivesse fundido com uma estrela, há dias em que o sinto partir a galope, não partas digo-lhe eu, não partas porque o calor das estrelas queima, não partas o universo é tão negro, mas ele não me obedece, deixa a calma lua e parte em busca de um sol que lhe dê luz própria, que lhe cause relâmpagos de emoção, pensa ele que pode ganhar luz própria, engana-se, um satélite há-de ser sempre um satélite, há-de ser sempre dependente de outra luz para brilhar, há-de precisar sempre de um planeta para orbitar, engana-se se pensa que um coração pode brilhar sem amor... o amor há-de sempre ser um satélite do nosso corpo... e nós havemos de ser sempre satélites do amor... eternamente atraídos por ele, sempre a senti-lo a anos luz de distância, sempre incapazes de o sentir na plenitude... se eu o pudesse agarrar e trazê-lo de volta para mim, deixaria de olhar para o céu, perderia a capacidade de erguer a cabeça e apreciar a beleza que me rodeia, deixaria de sonhar... deixa-te ficar, fica coração, fica e sê o luar, ele não tem limites de amar...

  Este post é um desafio retirado do Livro de Desabafos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

o despertar do amor

eu não sei amar quando e porque me apetece... eu aprendo a amar, num repente, que pode até demorar anos, dou por mim a achar aquela pessoa especial, a olhá-la com os mesmos olhos de sempre, mas a ver-lhe novas e encantadoras características, à luz do coração iluminado pelo relâmpago de senti-la perto... dou por mim a pensar nela a qualquer hora e instante, a querer falar sobre ela aos que me são próximos, a querer partilhar tudo com ela...
e então quero a palavra próxima, a lembrança de sorriso nos lábios, o abraço apertado nos momentos menos bons, o beijo quente nos momentos alegres, o prazer de nos sentir juntos, a magia de sermos tão próximos sem que os que estão próximos o saibam...
que bom é o evoluir destas necessidades, o sentir que aquele que um dia, tantos dias, não era ninguém para nós começa a tornar-se alguém tão importante, aquele que era só mais um é agora único e especial...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

free me


na distância que separa o tempo, mudaram-se as vontades, mudaram-se os sentimentos, mudaram-se os à vontades, prenderam-se os gestos e as palavras, acorrentaram-se as verdades...
deixa-me ser livre, deixa-me estar só, não me dês a solidão de me deixares, dá-me apenas a certeza de que mesmo não estando estás comigo, deixa-me saber que se chamar o teu nome vou ouvir a tua voz, deixa-me perceber que se te precisar vou sentir-te a presença...
devolve-me a liberdade de dizer e fazer, devolve-me a liberdade de ser livre, de me sentir leve, eu só eu, eu à minha maneira, simples, complicada, de coração aberto, de ouvido disponível, eu das minhas verdades atiradas ao vento, eu na minha vontade de ser um ombro amigo...

terça-feira, 7 de maio de 2013

far so close

estranho os dois,
tempo verbal e adjectivo
estranhos que se estranham
estranhos que são estranhos
juntos num substantivo
estranho,
iguais na diferença
semelhantes sem parecença
nunca se conhecem
estranho,
tempos não conjugam
características não definem
designações não caracterizam
estranho,
tão concretamento
tão abstracto
tão sem sentido.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

presa de mente

sento-me, sinto o tempo
pudesse eu estar longe
deixar para trás este momento
partir para longe do pensamento
 
levanto-me, espraio o olhar
quisesse eu voltar
ver o horizonte sem alcance
sentir-me sem mente num relance
 
parto, estou longe, cheguei
assentasse eu pés em terra firme
deixaria de ser livre
voltaria onde sempre estive