Se tivessem acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teriam ouvido as verdades que teimo em dizer a brincar, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria. Charles Chaplin

Tornámo-nos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Antoine de Saint-Exupéry

A cabeça que se não volta para os horizontes sumidos não contém nem pensamento nem amor. Victor Hugo

Não importa o que fizeram connosco, importa o que fazemos com aquilo que nos fizeram. JP Sartre

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terça-feira, 28 de abril de 2015

do filme que eu vi - a boa mentira


Entre 1983 e 2005, durante os terríveis anos da Guerra Civil que assolou o Sudão, estima-se que mais de dois milhões de pessoas tenham perdido a vida. Em busca de abrigo, um sem-número de famílias deixou as suas casas e seguiu em direcção a campos de refugiados. Devido à situação caótica em que viviam, perto de 27 mil crianças foram separadas dos pais, fazendo o trajecto sozinhas. Eram estes os "lost boys/girls", crianças de todas as idades que, fugindo aos perigos e, muitas vezes, acompanhadas pelos irmãos, percorriam milhares de quilómetros para alcançar os campos. Alguns anos mais tarde, um esforço humanitário levou para os EUA algumas destas crianças.
1993. Mamere e Theo são filhos do chefe de uma pequena aldeia no Sul do Sudão. Quando um ataque das milícias destrói toda a aldeia e lhes mata os pais, Theo é forçado a liderar um grupo de jovens sobreviventes e levá-los para um lugar seguro. Nesse árduo percurso, vão encontrando outras crianças em fuga. Entre elas está Jeremiah, de 13 anos, um rapaz inteligente e destemido que os ajuda a chegar com vida ao campo de refugiados de Kakuma, no Quénia. Anos mais tarde, Mamere, Theo e Jeremiah têm a oportunidade de deixar o campo e de se estabelecerem na América. Ao chegarem a Kansas City, no Missouri, são recebidos por Carrie Davis, que foi incumbida de os ajudar a retomar as suas vidas. Para ela, esta será uma oportunidade de perceber como a generosidade e o despojamento podem fazer realmente a diferença na vida de alguém.

quando me falaram do filme, e após ler a sinopse, recordo-me de ter comentado algo como "não sei se vou gostar, parece mais um filme à boa maneira americana, happy ending, a vida real não é assim!

em a boa mentira não há happy ending, não se vende o sonho americano, chega-se até, na minha opinião, a desconstrui-lo.
retratando uma das mais duras realidades de vida a que seres humanos podem estar expostos, a boa mentira mostra-nos como sob estas condições se forjam valores de enorme nobreza e se criam laços de infindável consistência. somos, assim, levados a reflectir sobre o quanto desvalorizamos o tanto que temos, e o quão fraca é a nossa capacidade de resistência perante os tão suaves contratempos que a vida nos coloca.

chamam-nos os meninos perdidos do sudão, mas nós não nos perdemos, nós encontramo-nos!
Jeremiah

retive esta fala, de um dos personagens menino perdido do sudão - interpretado por um verdadeiro refugiado sudanês-, julgo que resume a essência do filme. comparando a nossa realidade de vida com a dos refugiados do campo de concentração de kikuma, ou a de tantos outros sobreviventes de conflitos que assolam o seu lugar no mundo, percebemos o quanto faz sentido. apesar de termos o lugar onde pertencemos, a maioria parece andar perdida do que realmente importa. os valores morais, só eles podem traçar o caminho  para uma vida com sentido.
 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

do filme que eu vi - josé e pilar



josé saramago dedicou-se de corpo e alma à escrita após os 60 anos, escreveu o último livro aos 84. depois dos 60 anos conheceu pilar del rio, a ela dedicou o que a partir de então escreveu. pilar del rio quis conhecer saramago após ler os livros que este até então publicara. passados cerca de dois anos casavam-se. talvez nada aconteça por acaso. talvez os acontecimentos das nossas vidas sejam moldados pela nossa forma de entender a realidade. pena nem todas as vidas terem o privilégio de ver a lucidez e sentir a intimidade partilhadas por josé e pilar.
 
josé e pilar mostra-nos dias na vida do casal, a forma como olham a realidade. pode parecer só um documentário cru do dia-a-dia do escritor e da mulher. mas, se conseguirmos pôr em prática as palavras do próprio saramago "se puderes olhar vê. se puderes ver repara." seremos capazes de interpretar o quão além das imagens vai a mensagem do documentário. 

na vida tudo tem o seu tempo. 
 
há um tempo de ler e um tempo de compreender. li muitos livros antes de os saber compreender. só assim sei explicar porque não me encantei ao primeiro livro - memorial do convento, aos 18 anos - com a escrita realista, na medida em que reflecte sobre a condição do ser e de ser humano, de josé saramago.

segunda-feira, 2 de março de 2015

do filme que eu vi - a culpa é das estrelas


apesar da mensagem que transmite - a vida é o momento, há que aproveitar cada um (pode bem ser o último, independentemente da saúde de que julguemos gozar) e sem amor (em todas as suas formas) a vida não tem a mesma cor ou sabor - na minha opinião perde valor por ter um argumento demasiado surreal. não só o aspecto físico do casal que protagoniza, dois doentes com cancro em fase terminal, como o ambiente que os rodeia é exageradamente cor-de-rosa. há alegria a mais, por muito que se encare de forma positiva uma doença, ela tem sempre muito de dramático, de duro, de cruel e essa realidade foi  posta de parte em demasia. fechar os olhos à realidade não é impeditivo de se ser feliz, um sério exemplo disse neste Para ti, Campeão, da lutadora Ana Maltez, que aconselho vivamente.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

do filme que eu vi - a casa do lago

 

a mummy Suri sugeriu que visse o filme, ao ver o trailer relembrei o motivo porque talvez nunca o tenha visto, argumento demasiado inverosímil para a minha enorme necessidade de realidade, mas sendo o pedido de quem era não conseguiria negar. 

apesar do meu pouco bem-querer a estes filmes ao estilo conto de fadas - já sabemos como vai acabar, e pior sabemos que a vida real é algo muito diferente - dei por mim presa ao filme. o argumento apesar de irreal está bem conseguido, consegue prender e surpreender - mulheres, pelo menos - e até a lagrimita me conseguiu arrancar (bem quero ser dura, mas a minha essência é mole, molinha).
 
não é o tipo de filme que desperta o meu interesse, no entanto penso ter conseguido perceber a ideia subjacente - há coisas na vida que não controlamos, elas não acontecem como e quando queremos, acontecem quando têm de acontecer. isto é o que a minha natureza doce pensa, no entanto a descrente não se cansa de me lembrar, a verdade também é que, não acontecem a toda a gente...
 
eu sou assim Suri...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

o mordomo - filme

 
A história de um povo, de uma família, de um homem.
Banda sonora a cargo do nosso Rodrigo Leão.
Muito bom.

domingo, 1 de setembro de 2013

gaiola dourada - eu também já vi (piiiii) :P


muito já se falou do filme, críticas bastante positivas, junto-me ao grupo, gostei do filme, é ele próprio uma crítica positiva aos emigrantes portugueses. gostei especialmente das escolhas musicais e da "algazarra" das refeições entre amigos, nós somos assim, temos o fado à flor da pele, mas também a alegria e espontaneidade, e se for à volta do nossos maravilhosos cozinhados, ô lá lá, é animação garantida.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

searching for sugar man - filme


adorei o filme, fantástico, adoro histórias de vida. não querendo contar muito, mas contando um pouco... Sixto Rodriguez um músico que lançou dois álbuns nos USA nos anos 70, apesar de lhe ser atribuído enorme talento não teve sucesso, tendo seguido com a sua vida, e uma profissão bastante dura.
a muitos km de distância a sua música torna-se inspiração na luta anti-aparthaid, o seu sucesso é enorme mas ninguém sabe quem ele é, julgam-no morto, mais de 20 anos após o lançamento dos seus trabalhos iniciam a busca por sugar man (uma das suas músicas que, literalmente mudou a vida a um sul-africano), e passados mais de 20 anos Sixto volta a dar um concerto, actua perante um público em delírio com a maior naturalidade e à vontade - confesso que me emocionei nesta parte.
Sixto Rodriguez é um personagem marcante, um homem cheio de força de viver que aceita tudo o que a vida lhe reserva, para o bem e para o mal, um homem que apesar de ter sentido na pele a dureza da vida não se desligou do lado mais leve que a arte nos pode dar, um homem daqueles que julgo ser um bom exemplo. 
foi ele o autor da música "i wonder", nos anos 70!


e eu andei não sei quanto tempo a achar que era de um artista novo, o que vale tenho amigos dos bons. ;)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

to the wonder - filme

 
vi ontem, não gostei, a frase da imagem acima justifica, o argumento é contrário a tudo o que eu acredito, ou talvez eu não tenha a capacidade de absorver a essência do filme!? na tradução para português foi brindado com o título "a essência do amor", o Terrence Malick que me perdoe (sim, porque eu sei que ele me leva muito em conta), mas a essência do amor não tem nada a ver com aquilo, na minha opinião e na minha essência pelo menos!
 
se ainda não viram e querem ver não leiam os próximos parágrafos, vou contar a trama.
 
um homem e uma mulher conhece-se em Paris apaixonam-se, e vão viver para os USA, terra dele, ela leva a filha de dez anos;
a filha não se adapta e ela acaba por voltar a Paris;
o homem por ter sido abandonado por quem amava usa outra pessoa para esquecer, apesar dessa pessoa lhe ter dito que não suportaria mais ser magoada por um homem;
a mulher mãe deixa a filha com o pai, para voltar a viver com o homem que ama nos USA;
essa mesma mulher que "abandonou" a filha entende que o casamento é necessário para fortalecer o amor que os une, casam-se civilmente e pela igreja;
essa mesma mulher envolve-se com outro homem porque não tem filhos com o marido;
apesar da traição ter sido perdoada, essa mesma mulher acaba por abandonar o marido e volta para Paris, com um filho, não se sabe de qual dos dois;
a mulher usada pelo marido da que abandonou a filha, e agora também o deixou a ele, torna-se freira;
no meio disto tudo há um padre com dúvidas em relação à bondade de Deus, mas que no fim concluí que a essência do amor é Jesus...
 
o filme é quase totalmente composto por monólogos, logo o que descrevi é a minha interpretação, e é nesse âmbito que digo o nome do filme devia ser "a essência do egoísmo humano", nunca do amor. O amor não precisa de religiões, convenções ou documentos assinados para existir, não pode existir sem respeito, sem partilha... e eu que não sou mãe digo, não há amor maior que o sentido por um filho... desculpem a falta de lirismo, só vejo até onde o meu pensamento alcança...

em termos de imagem o filme é forte, mas estive sempre a ansiar por algo mais...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Little Miss Sunshine

Vi o filme no fim-de-semana, e só me apetece dizer, fazem falta muitas crianças assim, muitas famílias assim, do alto da sua enorme disfuncionalidade sabem o que é realmente importante, os laços de amor que os unem. Não importa o quão estranhos os outros nos acham, desde que nos sintamos bem connosco e com os que são importantes para nós.