Imaginem
Que convivem com uma pessoa durante alguns anos;
Que durante esse tempo todo apenas mantêm conversas
de circunstância e não passam de conhecidos;
Que do pouco que conhecem da pessoa, há características
que apreciam e outras que abominam;
...
Que estão numa fase menos boa;
Que essa pessoa também está numa fase menos boa;
...
Que essa pessoa se aproxima de vocês;
Que na vossa maneira de ser gostam de ajudar os
outros, e se dispõem a ser amigos dessa pessoa;
...
Que a pessoa diz que gosta de vocês;
Que vocês tentam fazê-la ver que está a confundir
sentimentos porque está frágil;
Que a pessoa vos diz que não é isso;
...
Que vocês também são humanos, também têm fragilidades e se
deixam levar por palavras bonitas…
Que vocês apesar de conseguirem ser amigos e aceitarem os outros, são pessoas com opinião, que dizem o que pensam, e que não estão dispostos a ser o que a outra pessoa desenhou para vocês...
Assim sendo acabam por levar com um belo pontapé no traseiro!
Imaginem!
Isto aconteceu mesmo, só a
mim, eu e a minha mania de me preocupar genuinamente com os outros, de querer ser
amiga, de gostar de ouvir os outros, de me apegar facilmente…
Agora imaginem que, continuam a conviver quase
diariamente com essa pessoa, essa pessoa que agora sabem não saber nada de
vocês, e que vocês ficaram a conhecer, essa pessoa que vos brinda com
indiferença, vocês sofrem, mas são como as árvores, vocês ficam de pé…
Tudo o que queriam gritar bem alto fica calado,
há pessoas que não merecem a verdade das nossas palavras, muito menos a dos
nossos sentimentos, tudo isto doí, faz mossa cá dentro, e durante muito tempo
não conseguem olhar na cara da pessoa, o vosso olhar queima, as vossas
palavras são dardos…
O tempo passa, e vocês aprendem que o olhar pode dizer mais que julgavam possível, aprendem a gostar um pouco mais de vocês, aprendem que a verdadeira beleza está na capacidade de ser
verdadeiro, de partilhar da dor dos outros, de ter prazer em dar … eu sou
assim, eu não sei ser de outra maneira, but...