Se tivessem acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teriam ouvido as verdades que teimo em dizer a brincar, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria. Charles Chaplin

Tornámo-nos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Antoine de Saint-Exupéry

A cabeça que se não volta para os horizontes sumidos não contém nem pensamento nem amor. Victor Hugo

Não importa o que fizeram connosco, importa o que fazemos com aquilo que nos fizeram. JP Sartre

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

o amigo imaginário

perder fisicamente uma pessoa que amamos é, sem sombra de dúvida, a dor mais dilacerante que já experienciei. é uma dor do tamanho do vazio que a ausência da pessoa deixa em nós. nada mais pode ser partilhado.

depois há a dor de perder alguém emocionalmente. dói diferente e atinge-nos de diferentes formas. dói perceber o engano, tomar consciência que nunca fomos importantes. dói perceber que a nossa ausência não deixa vazio, porque vazias eram as emoções que um dia nos ligaram àquela pessoa. 
os amigos imaginários existem, são aqueles a quem oferecemos um lugar no nosso coração, mas para quem nunca significamos mais que a utilidade do momento. os amigos imaginários existem e dói perde-los, não só porque nos confrontamos com a nossa ausência de importância na vida real do outro, mas também porque percebemos que ainda somos (crianças) inocentes ao ponto de acreditar numa ilusão! ilusão que agora nos esbofeteia na realidade! 

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

sinto-me muito orgulhosa de mim (was it you or was it always me?)

consegui algo que nunca sonhei ser capaz!
a insegurança que se apoderava de mim e me fazia sentir que não era suficientemente boa em nada, parece ter-me dado tréguas!
nunca em.momento algum da minha vida adulta fui capaz de me olhar sem o excesso de exigência com que me olho agora!
eu sou capaz, eu tenho qualidades, eu sou boa em muito do que faço e com as pessoas a quem me dou
this fucking feels good!
(guess you brought out the best of me! sadly you are not able to share my joy. hope some day you'll feel the beauty of sharing someone's joy just because that person matters, even if you're not gonna get any emocional return with it! that's called friendship, and it's the most generous kind of love.)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

missing you my Blue

primeiro dia que acordo e não estás aqui,
eu quero o meu Blue 😭😭 
ninguém podia saber que íamos ser tão importantes na vida um do outro, quando nos cruzavamos e eu te destestava, eu que adoro todos os cães 
eu era a tua pessoa especial, foi comigo que curaste o stress de perder o teu mundo
nunca soube o que querias quando passavas a tua patinha em nós se nos sentassemos ao teu lado!
eu era tão especial para ti que sentir o meu cheiro, mesmo quando eu já não vinha no meu antigo  carro, te fazia ter a reação sinal de "ela chegou, chegou a minha pessoa especial"
as tuas coulottes naturais deram nome à diaba que eu trouxe para casa na esperança de ter mais Bluzinhos 😞, desculpa 
nos teus últimos dias, em que ainda andavas, os teus passos eram para me seguir, a tua pessoa especial
tenho saudades meu Blue, muitas

sábado, 30 de novembro de 2024

o furto da identidade civil e uma nova identidade emocional

furtaram-me os documentos

fui tirar novo CC julgando que se tratava da mera formalidade de pedir um novo, tive de "refazer" a minha identidade civil

o meu cabelo apresentava-se como a juba de um leão, o meu queixo com acne senil em estado papulopostuloso e entre as minhas sobrancelhas avistava-se o desfiladeiro do Grande Canyon 

uí, tenho de tirar foto, não estava preparada, digo à funcionária do registo enquanto tento domar a juba
pode vir outro dia, responde ela
estava a brincar, digo eu, enquanto me coloco em frente à máquina que haveria de captar a minha identidade

foto tirada, juba check, acne senil check, grand canyon check 
está bem?, pergunta a funcionária, e eu respondo, está, sou eu!

e como por magia ali estava eu, em frente ao reflexo de uma mulher cheia de imperfeições, a aceitar-me sem me importar 

no dia seguinte, dedicado a pensar nos outros, noite caída, deitada para dormir dei conta que não tinha tomado nem o ansiolítico, nem o antidepressivo, e a sensação que tomava conta de mim não era a ansiedade, nem os pensamentos autodestrutivos, muito pelo contrário, eu sentia-me confiante, orgulhosa do ser humano em que me tornei e, sem esquecer quem perdi, feliz, de bem comigo e até com o mundo, dormi 

manhã seguinte, em chamada telefónica, contei o sucedido durante a noite e, fazendo uso do meu tom irónico e teatral, disse, tu não eras assim mcp, estás muito mudada!
a pessoa do outro lado responde, quem foi que te mudou mcp?
ouvida a pergunta, o meu cérebro percebe que, quem fazia a pergunta era, sem saber, o responsável por esta mudança
não lho disse

o furto da minha identidade civil fez-me perceber o porquê daquela pessoa ser tão especial para mim, ele deu-me uma nova identidade emocional

custou-me muito aceitar a atração que sentia por ele, não temos nada a ver um com o outro e ele tem a vida dele, eu sempre soube que não havia hipótese de sermos mais que amigos, mas algo dentro de mim sentiu, muito antes que eu conseguisse, ou pudesse saber, que aquela pessoa era muito especial

algo de inexplicável fez com que me enamora-se por aquele que haveria de ser o responsável por eu me amar (com todos os meus defeitos visíveis) e sentir confiante 

eu só quero que ele seja feliz, porque fazer alguém amar-se é o melhor presente que alguém nos pode dar

obrigada 🧡 

sábado, 14 de setembro de 2024

food addiction 😋😅

sabes que tens um problema com comida quando:

- comes uma fatia dos restos de bolo que estão no frigorífico do trabalho!
- tomas o pequeno almoço e tens vontade de debicar massa do jantar do dia anterior!

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

back to being me

não é fácil viver na nossa pele quando o maior inimigo é a nossa cabeça. adiei até ao limite voltar a tomar o antidepressivo, o limite chegou há poucos minutos quando me dei conta que os meus pensamentos autodestrutivos não me iam dar tréguas

low bat

esperamos que quem nos é próximo nos conheça e surpreendemo-nos quando alguém com quem apenas mantemos relações de circunstância repara que estamos sem a energia habitual!

quem manda? quem não sabe. um dejà vu autoritário

adoro quando as pessoas respondem com mentiras descaradas e arrogância na tentativa de ocultar o facto de lhes estar a chamar a atençāo para falhas. falhar é normal não querer melhorar não!

não gosto da angústia mas ela gosta de mim

é complicado viver não sabendo como nos vamos sentir no momento seguinte
talvez seja por isso que não gosto de montanhas russas lembram-me os altos e baixos das minhas emoções

uma aspirante e um doutor do volante cegam o caminho da luz

às vezes a autoconfiança alheia esbarra em mim e chego à conclusão que a exacerbação dos sentimentos bons pode cegar na mesma medida que a exacerbação dos sentimentos maus! 
a primeira encadeia pelo execesso de brilho a segunda tolda pela escuridão!

que bom deve ser viver na redoma de uma cegueira selectiva que apenas nos deixa ver o quão incríveis somos!

a minha cegueira selectiva só me deixa ver as minhas incapacidades e inconseguimentos e impede-me de me julgar superior rotulando negativamente (a torto e a direito) quem não pensa como eu! a minha cabeça é o meu inferno quem me dera ter vindo com o modelo paraíso!

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

sobre medos que se agigantam!

eu acho que sou insuficientemente boa em tudo o que faço, todos são melhores que eu, eu sou diferente, limitada, e às vezes esse sentimento de diferença atinge-me de uma forma que quase me paralisa
um medo enorme, de não ser capaz, de não estar à altura, de me expor e ser ridícula, apodera-se de mim e traz consigo a insegurança que me aperta o peito e me deixa hiper ansiosa
a ansiedade impede a concentração e eu convenço-me ainda mais que sou diferente, incapaz, não estou à altura do que me é expectável e exigível
é um ciclo autodestrutivo que racionalmente sou capaz de descrever e refutar, mas do qual não consigo sair sem ajuda medicamentosa
este medo de ser diferente, e de assim ser vista pelos outros, tem tido consequências destruitivas na minha vida, contudo acho que também é ele que me faz olhar para os outros com a enorme generosidade de os querer aceitar nas suas diferenças, para que não sofram as dores do julgamento alheio como eu sofro as do autojulgamento 

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

mais uma epifania!

quando me cortam as asas escrevo, porque escrever é voar de pés assentes na terra!

da intolerância dos que pregam tolerância

quem acredita num deus vê como ofensa que se diga abertamente que não se acredita!
por que é que temos de aceitar uma crença e não a podemos pôr em causa, sendo que como crença não assenta em nada material, e os crentes não têm de aceitar que nos cinjamos ao que é real?
chama-se intolerância, arrogância, sentimentos muito comuns entre os que crêem num deus!
se querem ser aceites deviam aprender a aceitação, infelizmente as religiões nunca geraram aproximação, a história mostra, a quem quiser ver, o rastro de destruição que deixaram e continuam a deixar!
felizmente princípios morais não têm nada a ver com religião!

domingo, 8 de setembro de 2024

reprodução em sentido literal e figurado

certamente há homens a sentirem-se atraídos pelo intelectuo de mulheres e que reprimem os sentimentos porque elas não são bonitas, ou magras, ou jovens, ou férteis, ou ricas, ou recatadas no vestir e no pensar, ou qualquer outra merda pela qual a sociedade (ocidental patriarcal) diz que um homem se deve sentir atraído
nessa situação a vítima não é só a mulher, não é só sobre ela que recaí o ónus de ser como os outros ditam que seja
infelizmente há muitas mulheres a pensar e a educar os filhos para perpetuarem os grilhões deste preconceito 
a racionalidade do ser humano inverteu o papel dos sexos na natureza e faz com que seja a fémea a tentar atrair o macho
milhares de anos após sairmos das cavernas não há dúvida que continuarmos a viver em função da reprodução, contudo julgamo-nos tão diferentes das outras espécies de seres vivos...


sexta-feira, 6 de setembro de 2024

o desejo não tem medidas!

há muitos seres humanos a acreditar que o desejo masculino (heterossexual) é despertado por roupas justas e partes do corpo expostas. e é certo assim acontecer, contudo, isso não pode retirar às mulheres a liberdade de se vestirem como bem entenderem. 
o desejo é um instinto, logo, não havendo reciprocidade, se alguém o sente tem de se controlar. esse é o traço característico da racionalidade!
lamentavelmente ainda há um caminho longo a percorrer até os seres humanos perceberem que uma mulher é muito mais que um corpo, ainda assim  é perfeitamente legítimo que ela o mostre, e, se assim o entender, viva emocional e economicamente à custa da sua imagem.

por outro lado, fico triste pelos seres humanos que assim não o entendem, sobretudo se forem mulheres! por certo não sabem que é possível e o quão mágico é sentir-se contagiada pelo desejo do outro sem provocações físicas, sem os corpos se tocarem e sem os olhos se encontrarem!

terça-feira, 27 de agosto de 2024

duvido de certezas, acredito em interrogações!

às vezes questiono-me se há algo de errado em sermos sinceros com as pessoas em quem confiamos!

parece-me óbvio que não, aliás não vejo outra forma correcta de agir! mas a vida dá tantas voltas que onde antes estava uma pessoa em quem confiávamos agora está uma interrogação e isso cria-me dúvidas!

acho que a minha única certeza vai ser sempre que eu sou uma pessoa de muitas dúvidas e poucas certezas!

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

as cores do sorriso como medidores de distância sentimental, uma reflexão sobre o conforto no desconto!

silêncios confortáveis e sorrisos desconfortáveis (o contrário de silêncios desconfortáveis e sorrisos que confortam)

na tentativa de encontrar uma explicação para o que sinto, cheguei à conclusão (tão provisória como alguns sentimentos) que me atrai o conforto emocional proporcionado pelo outro!

esse conforto reconfortante, que sentimos junto de algumas pessoas, não se explica é uma conexão (o telemóvel sugeriu vibe, muito moderno este meu equipamento electrónico)!

a merda é que estas conexões emocionais ou vibes enganan-nos como o raio, porque sendo percepções individuais, somos nós a pintar o outro das que cores que mais alegram a nossa tela!

a sorte é a tela da vida ser feita para sobrepor camadas e camadas da tinta dos nossos dias!

talvez eu tenha visto muita cor onde só havia preto e branco, nesses dias o silêncio não tinha lugar e o riso enchia a minha tela de cor, das cores fortes que eu tanto gosto!

a indiferença veio dar uma pincelada de realidade preta e branca na minha tela, acho que aprendi a aceitar estas cores, com elas o silêncio enche o espaço de tal maneira que o sorriso sente desconforto por espalhar salpicos de cores fortes pela tela...

eu gosto de sorrir na mesma medida em que não gosto impor a minha presença, acho que há pessoas que se sentem confortáveis por me fazer sorrir, mas não gostam da cores vibrantes que espalho nas suas telas, assim fica difícil porque sou obrigado a sorrir a preto e branco e isso é desconfortável!




we all dress eachother with our thoughts!

a minha intuição é incrível para coisas parvas, ou strange things happen in therms of dressing, que é como quem diz, sou boa a despir a mente no que toca a vestir o corpo!


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

funny stuff about me!

eu respondo a letras de músicas, contrario-as para elas não pensarem que sabem os porquês e os comos do que eu sinto! pq às vezes parece que sabem demais 😅
e isso lembra-me a maravilhosa música dos Fugees - killing me softly with his song 

And there he was
This young boy, stranger to my eyes

Strumming my pain with his fingers
Singing my life with his words
Killing me softly with his song
Killing me softly with his song
Telling my whole life with his words
Killing me softly with his song

I felt all flushed with fever
Embarrassed by the crowd
I felt he found my letters
Then read each one out loud
I prayed that he would finish
But he just kept right on

Strumming my pain with his fingers (One time, one time)
Singing my life with his words (Two times, two times)
Killing me softly with his song
Killing me softly with his song
Telling my whole life with his words
Killing me softly with his song

certamente já se passaram 20 anos desde o lançamento, e agora ao lê-la acabo de lhe descobrir um novo significado! a música é sem dúvida das melhores criações do ser humano.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

talking to myself

as viagens para e do trabalho têm muitos modos, reflexão, desespero, boa disposição... 

quase dois meses sem antidepressivo, dois meses a descobrir como é estar de bem comigo: 
a não reagir a quente a algo que me tiraria do sério, descobrir o mood não me vou incomodar com isso, há-de resolver-se, e seguir sem aquela situação a bombardear-me a cabeça e a deixar-me un petit peau fou
a gostar de fazer coisas sozinha, estar bem e andar bem só, aceitar que tenho gostos diferentes das minhas pessoas e que isso é perfeitamente normal e não me pode impedir de ir onde quero. sentir que onde antes havia medos (sozinha não vou) pode haver entusiasmo (vou sozinha, vai se uma experiência boa);
a olhar para mim e gostar do que vejo, da minha aparência. esta foi a de mais difícil interiorização! sentia-me um pouco tontita, fútil! mas, um dia ao olhar para uma foto da minha cara (com quem eu sempre tive uma relação muito difícil) e a achar-me bonita (hard do say) percebi que a beleza que eu agora vejo não está nos traços do meu rosto, tem antes a ver com um brilho que emanava dele, e esse só existe porque me sentia leve e de bem comigo 

tudo se relaciona, efectivamente, com o nosso estado de espírito, o que vai na nossa mente! antes, mesmo nos meus momentos felizes eu tinha sempre uma nuvem interna a assombrar-me. talvez uma pequena nuvem já viesse de origem, mas a infância feliz não a deixou fazer sombras, com o início da idade adulta a nuvem cresceu e começou a ensombrar mais e mais cada vivência minha;
o antidepressivo desfez a nuvem e passados dois anos de toma, vivi dois meses como se a minha mente tivesse sido sempre ensolarada!

ontem na viagem de regresso a casa senti que a nuvem estava lá, sentia o seu peso. e assim foi, começou uma tristeza súbita, um desencanto com a vida, pensamentos negativos, vontade de ficar a hiperpensar cosias más, pouca tolerância a comportamentos de pessoas a quem normalmente tolero muito, o incómodo em ouvir pessoas a falar e a hipersensibilidade aos sons. um peso na cabeça que me faz querer estar só, me leva para a cama e faz com que as refeições não se façam!
há muito não me sentia assim, não quero voltar a ser assim! já andava a interrogar-me quanto tempo conseguiria estar bem sem o antidepressivo, parece que dois meses é o meu tempo de vida limpa!

o que mais me incomoda é que não houve um gatilho, algo a que eu possa atribuir esta mudança, foi repentina, estive todo o dia bem e do nada quando entrei no carro para sair do trabalho já sentia o peso da mudança que aí vinha!