ontem ao chegar a casa, enquanto estacionava o carro vi um cãozinho lindo, pequeno, pêlo curto camel, orelhinha arrebitada, e olhar perdido, não resisti. chamei-o ele não vinha, fui-me aproximando, consegui pôr-lhe a mão, fazer-lhe uma festinha, agarrá-lo e levá-lo para casa. po**a o bicho era pesado tive de o poisar a meio do caminho!
o Pi - cão da casa há mais de uma década - após se enfurecer ferozmente, eriçar o pêlo, e soltar algumas rosnadelas, gostou logo dele, cheiradas as partes mais identificativas estava feita a declaração de amizade. escolhi-lhe o nome, seria Torresmo, um nome do Norte carago!
quando me preparava para o deixar à vontade, na sua nova casa, deram-se dois acontecimentos que precipitaram o inicio do fim do nosso amor tão lindo, que se previa ir fazer ribombar os nossos corações!
acontecimento # 1
pai diz que o cão não é vadio. essa era uma dúvida que me inquietava, ele estava gordinho e bem tratado, e eu não queria separá-lo da família. resolvi que o deixaria passar a noite em nossa casa e de manhã abriria o portão, se ele quisesse e soubesse poderia voltar a casa, se fosse amor ficaria.
acontecimento # 2
o bichinho era muito macho, e resolveu iniciar a marcação de território, e vai de cometer o grave erro de alçar a pata às plantas da minha irmã. ante a visão do plantio moribundo após a exposição a doses massivas de urina a irmã intima-me, "se queres o cão tens de o prender". a imagem tenebrosa do bicho agarrado a um cadeado aterrorizou-me, abri o portão e deixo-o partir, para a vida dele e para longe da minha, amar é libertar.
não posso deixar de pensar que a minha relação com o Torresmo foi tão rápida como algumas que tive com seres humanos. a diferença é que ao Torresmo fui eu quem lhe quis pegar ao colo, já os seres humanos foram eles que se quiseram pôr no meu colo. aparece-me cada torresmo!
Já dizia Chaplin, "...falei muitas vezes como um palhaço..."