"Aos 34 anos, Elizabeth Gilbert, escritora premiada e destemida jornalista da GQ
e da SPIN, descobre que afinal não quer ser mãe nem viver com o marido numa casa
formidável nos subúrbios de Nova Iorque e parte sozinha numa viagem de 12 meses
com três destinos marcados: o prazer na Itália, o rigor ascético na Índia, o
verdadeiro amor na Indonésia. Irreverente, espirituosa, senhora de um
coloquialismo exuberante, Elizabeth não abandona um minuto a sua auto-ironia e
conta-nos tudo acerca desta fuga desesperada ao sonho americano que começou no
momento em que encontrou Deus."
Gostei do livro?
Não posso dizer que sim, nem que não, diria que o encaixo na categoria "estranha-se". E ao dizê-lo estou a mostrar muito do que sou, da minha natureza céptica, pouco crente em finais felizes e em encontros espirituais, não quero com isto por em causa a história que Elizabeth Gilbert nos conta, é a sua história pessoal, e é aí que residem as minhas dúvidas, ela conseguiu libertar-se, mas seremos todos capazes de fazê-lo, seremos todos capazes de iniciar esta viagem, seremos todos capazes de sentir essa necessidade? Tenho dúvidas... Sou o extremo oposto da autora, vivo presa nos muros que os meus medos construíram, só com os meus me sinto livre e liberta, e estou-lhes demasiadamente presa, acreditem ou não, sou incapaz por ex. de fazer férias sozinha, e já deixei de as fazer por esse motivo, sou demasiado contida, muito introvertida, se as pessoas não vierem a mim, posso conviver com elas séculos e não estabelecer contactos próximos, nem criar laços de afinidade. Não sou crente em nenhum Deus, e a espiritualidade é uma realidade que me parece a anos-luz de distância, admiro as pessoas de fé, a nossa humanidade precisa de um sentido e esse pode ser um dos caminhos, mas para mim a existência humana só faria sentido se estivéssemos a contribuir para a melhoria da vida dos outros seres humanos, de todos os seres vivos, do planeta em que vivemos, não é assim, sabemos bem, então como ser feliz, pensar positivo, se há tanta injustiça à nossa volta? Para que fechar-mo-nos em templos religiosos a adorar deuses, se pouco fazemos pelos nossos iguais?... E é esta a minha natureza! Como, não oro, e tenho uma estranha forma de amar.
Aconselho a leitura do livro, faz-nos pensar no que somos, no que queremos, a forma como pretendemos chegar lá, e avaliar a nossa relação com o mundo.